Ato Final

Por Plinio Cesar Batista

Nesse mundo a pessoa não descansa,

Nem quando morre,

É morto,

ou se mata.

Compartilharam suas imagens

Por aí,

Em formato de um defunto,

Numa espécie

De arte mórbida,

Logo você,

Que sempre exalou uma arte tão viva.

Pensei nos seus cabelos brancos

Que deveriam estar bagunçados

E que talvez que você estivesse

Com a sua pior vestimenta.

Não quis ver as imagens,

Tão baixo astral

Da parte deles,

Mas sei que nos arrumamos para uma festa,

um jantar.

Não para o nosso próprio funeral.

E o que era para ser lido

Na intimidade da sua família,

Suas últimas palavras,

Ao abrir as redes sociais

Estava lá,

Escancarada a sua carta de despedida,

Aos olhos de quem quisesse ver,

Quem sabe até

Daqueles que fizeram

Você cometer tal desatino,

Ou daqueles que você,

Por algum motivo

Nem queria se despedir.

Encontraram o ator morto

Desta vez,

Ninguém ouviu o diretor

Gritando corta

Não se viu descer nenhuma cortina.

Um comentário em “Ato Final

Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: